To be, but be
O que há ali, bem ali?
Não há nada.
Eu nasci nas profundezas, onde luz alguma alcança.
Cercado pela escuridão.
Incerto sobre o amanhã.
Nascido sob aqueles sedimentos obscuros...
Eu possuia um corpo branco.
Meus companheiros, eram do mais puro negro.
Em suas formas negras...
com olhos reluzentes e dentes à mostra...
...certamente devoravam algo.
E então...
Não havia nada em mim, exceto meus olhos.
Eu não sentia nada.
Não, na verdade...
Provavelmente o que sentia era o "vazio" mas,
Ainda assim...
Não pude ouvir nada.
Não pude devorar nada.
Não pude cheirar nada.
Não pude sentir o toque.
Não pude descançar.
Não tive companheiros.
Apenas caminhava... sozinho
Não havia nada.
O que é refletido em meus olhos, não tem significado.
O que não pôde ser refletido, não existe.
Caminhado... caminhado... caminhado...
Quando me dei conta...
Encontrei algo extraordinário.
Era de algum modo, a fonde daqueles...
...objetos estranhos e translúcidos que pontilhavam
este mundo.
Foi a primeira vez...
... que algo me chamou a atenção de meus olhos.
Sem cor.
Sem som.
Sem cheiro.
Não interagia com nada. Apenas existia.
Foi a existência mais próxima ao "vazio"
na qual já pus meus olhos.
Deixei meu corpo afundar...
Naquele grande "vazio".
Não havia nada ali.
Minha visão se esvaiu, e me disolvi no vazio.
Senti como se tudo tivesse desaparecido.
FELICIDADE
Se o que chamam de felicidade existe neste mundo...
...Deve ser algo que lembre o grande vazio.
O vazio é não ter nada, e não ter nada a perder.
Se isto não é felicidade, então o que é?
O que é refletido em meus olhos, não tem significado.
O que não pôde ser refletido, não existe.
Não há nada...
Em você...
...E em mim.